Transformação digital – O que muitas empresas não entenderam

Transformação digital – O que muitas empresas não entenderam

E precisam entender se não quiserem ficar para trás

Grandes empresas tendem a quebrar entre os próximos cinco e dez anos. Este fato é constatado por pesquisas que observam a resistência de líderes perante o fenômeno da transformação digital. Inegavelmente, a tecnologia trouxe mudanças fundamentais para todo e qualquer segmento do mercado. Mas a incapacidade de incorporar tais novidades na própria dinâmica vem sentenciando diferentes negócios à falência.

Embora o conceito de transformação digital já esteja no radar há algum tempo, muitos gestores ainda não assimilaram o que ele representa, na prática, para o futuro das suas companhias. É comum que arrisquem iniciativas digitais, marquem território nas novas mídias e invistam na última tendência do mundo corporativo. Tudo, porém, às cegas. Afinal, quais estratégias estão por trás do sucesso na era da internet das coisas, indústria 4.0 e computação na nuvem?

Se você está começando 2019 com dúvidas referentes ao contexto em questão, continue lendo. Nosso artigo apresenta a perspectiva de um empreendedor cujo propósito tem sido colaborar para a digitalização da economia brasileira: José Renato Hopf, CEO da 4all e fundador da GetNet. O gaúcho palestrou sobre a temática no NetStorm, discutindo as principais variáveis dessa equação com a plateia.

A lógica da transformação digital

Sendo a sua realidade próxima ou não das empresas que citamos no início do texto, saiba que o desafio da transformação digital já foi lançado – e ninguém ficará de fora. Portanto, assimilar esse conceito é primordial para quem pretende sobreviver em um cenário altamente globalizado. O momento atual representa uma oportunidade para evoluirmos nossos modelos de negócio, aproveitando a tecnologia como uma vantagem competitiva.

Um dos maiores erros, no entanto, é acreditar que a transformação digital está na infraestrutura de TI. Conforme Hopf, o progresso tecnológico suporta outro movimento ainda mais relevante. Trata-se da mudança cultural e estrutural que precisa ser feita de maneira integrada no ecossistema da organização. Assim, podemos observar uma ruptura na lógica de funcionamento do mercado. “O nome do jogo é velocidade”, afirma.

Velocidade para inovar e adaptar os processos do seu negócio, a sua forma de trabalhar, de se relacionar com seus públicos. Um dos paradigmas que devem ser quebrados, inclusive, consiste na percepção da concorrência como inimiga. Mostra-se essencial enxergar as possibilidades de gerar redes de parceiros. “É uma lógica de como eu posso somar para mais rápido entrar no mercado, crescer, atingir meu objetivo e partir para outra”, explica o empresário gaúcho.

Uma mudança de mindset

Assim como as coisas são rápidas para crescer, também são rápidas para acabar. Só permanece no topo, segundo Hopf, quem tem capacidade de se reinventar constantemente e, às vezes, destruir o próprio negócio. Consequentemente, aquelas organizações mais rígidas e tradicionais terão dificuldade em mergulhar nesse mindset diferenciado.

“Entender que a minha empresa precisa se conectar com outras empresas para crescer de maneira exponencial implica que o funcionamento interno das empresas seja mais rápido também”.

A transformação digital, de acordo com o CEO, une o que há de melhor nas economias real e digital. Alguns cases de sucesso são Netflix, Uber e Airbnb – empresas responsáveis por ressignificar atividades comuns por intermédio da tecnologia. Iniciativas como essas encabeçam uma revolução de valores que está impactando toda a nossa sociedade. Como resultado, novos padrões de relacionamento e consumo começam a surgir.

A partir dessas mudanças de hábitos e comportamentos que são estimuladas por empresas da economia digital, Hopf destaca a criação de outros dois tipos de economia:

  • Economia do uso: não sentimos mais necessidade de possuir objetos, pois interessa apenas tê-los disponíveis quando for conveniente.
  • Economia da atenção: esperamos receber informações e produtos personalizados para não perdermos um recurso tão escasso quanto o tempo.

Hopf afirma que “estamos evoluindo para uma economia menos baseada em status e mais baseada em viver”. Logo, o segredo da transformação digital é gerar a melhor experiência para as pessoas através de produtos e serviços mais cômodos e baratos.

Onde nós estamos neste processo

Por fim, você deve estar se perguntando aonde sua empresa se encaixa em meio a esse turbilhão de mudanças. Nós já deixamos claro que os efeitos da transformação digital transcendem áreas ligadas diretamente à tecnologia. Resumindo, o futuro de inúmeros negócios está em cheque. A Global Center Business Transformation listou quais setores serão afetados em maior e menor medida, confira:

1 – Mídia e entretenimento
2 – Produtos tecnológicos e serviços
3 – Varejo
4 – Serviços financeiros
5 – Telecomunicações
6 – Bens não duráveis
7 – Educação
8 – Serviços profissionais
9 – Hotelaria e turismo
10 – Manufatura
11 – Transportes e logística
12 – Imobiliário
13 – Assistência médica e farmacêutica
14 – Energia e utilidades

Desde a área de mídia e entretenimento, que vem sofrendo alterações profundas devido à chegada de players como Facebook e Google, todos os tipos de indústrias demonstram potencial de disrupção. Não à toa, uma pesquisa de 2018 promovida pela IDG aponta que 86% das organizações já adotaram (ou tem planos para adotar) uma estratégia de transformação digital. Hopf esclarece que as três principais vantagens de apostar na transformação digital são ampliar vendas, diminuir custo e aumentar o relacionamento com o cliente.

É claro que existem dificuldades a serem enfrentadas para atingirmos os benefícios que esse novo modelo mental apresenta. Primeiramente, precisamos falar sobre segurança cibernética e proteção aos dados pessoais – temática que tem tomado conta das agendas governamentais. Outros tópicos a serem dominados envolvem análise de dados e tecnologia móvel. Independentemente do obstáculo, tenha em mente a importância de investir não apenas dinheiro, como também tempo na sua estratégia de transformação digital.

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