Social bots: não caia nessa manobra eleitoral

Social bots: não caia nessa manobra eleitoral

Debate político sofre com a interferência dos perfis falsos

Da televisão às redes sociais, o debate político tem ocupado um espaço cada vez mais íntimo na vida do cidadão. Usuários de sites como Facebook manifestam suas opiniões em perfis pessoais e colaboram, teoricamente, para fortalecer o diálogo democrático. Mas o que acontece quando os bots começam a interferir na discussão?

As eleições de 2014 foram marcadas pela presença de perfis falsos. Durante o segundo turno, robôs motivaram mais de 10% das interações no Twitter referentes ao assunto. Eles servem para criar a impressão de maioria, seja em benefício ou prejuízo de um candidato.

Como resultado, observamos uma forte polarização do público e consequente emburrecimento do debate político. O problema, para além da bolha digital, é que isso impacta nossos processos de decisão coletivos. Com a chegada do período eleitoral, precisamos estar mais atentos que nunca a essa ameaça.

Se quiser entender melhor como os social bots são capazes de manipular a opinião pública e o que você pode fazer para evitá-los, acompanhe o nosso artigo.

Como social bots nos afetam

Social bots são contas automatizadas que, a partir de algumas linhas de código, executam ações específicas. Na política, funcionam como um exército de militantes que opera de forma estratégica conforme interesses partidários. Podem ser ativados com uma palavra-chave, por exemplo, incitando disputas nas redes sociais.

Existem robôs “positivos” que contribuem para gerar relevância aos candidatos. Seu objetivo é ampliar a visibilidade de uma página específica nas redes sociais, somando ao número de seguidores e reproduzindo publicações. Outros favorecem a propagação, massiva, de notícias falsas a respeito dos adversários. Acabam por causar discórdia, incitar ódio e mudar o rumo das conversas.

De qualquer maneira, é a sua capacidade de afetar nossa percepção sobre a realidade que preocupa. Este assunto foi abordado no Braincast, ouça abaixo:

Fator decisivo para a viralização dessas informações, conforme os participantes do podcast, é o seu teor emocional. O conteúdo produzido por especialistas e disseminado com perfis falsos apela para discursos extremistas, no intuito de desestabilizar quem está atrás da tela. Lados opostos do espectro político encontram vantagem nessa artimanha, deslegitimando a concorrência.

A influência dos bots sobre acontecimentos recentes é perceptível. Pesquisas indicam que eles foram determinantes para a escolha do Brexit e a vitória do Trump, eventos de repercussão mundial. No Brasil, estuda-se o efeito das interações automáticas sobre o Impeachment e a votação da Reforma Trabalhista.

Evitando as armadilhas

Apesar dos bots imitarem o comportamento humano, costuma ser fácil de identificá-los. Algumas características marcantes são: grande volume de atividades em um curto período de tempo, postagens monotemáticas, biografias superficiais e fotos de perfil abstratas. Claro que analisar esses perfis manualmente vai exigir um olhar crítico da sua parte.

Diante da demanda por transparência nas redes sociais, soluções para reconhecimento de bots estão sendo desenvolvidas. O Twitter, plataforma onde há maior proliferação dos autômatos, conta com mais ferramentas auxiliares. PegaBot e Botcheck são algumas delas.

Pensado especialmente para o período eleitoral, o projeto Eleições Sem Fake desenvolveu uma série de sistemas que monitoram as ações dos robôs. Análise de propagandas impulsionadas, trending topics, cobertura midiática e audiência dos políticos são algumas funcionalidades disponíveis.

As agências de checagem de fatos têm sido mais uma aliada nessa batalha. Iniciativas brasileiras como Aos Fatos e Lupa fazem parceria com Twitter, Facebook, Instagram e Whatsapp a fim de desmentir boatos em circulação.

As próprias redes sociais estão tomando medidas para evitar que a desinformação se alastre. No Whatsapp, o envio de mensagens foi limitado a, no máximo, 20 grupos por vez. Mensagens encaminhadas também passam a levar um rótulo, avisando que o conteúdo foi repassado pelo remetente.

Conclusão

Diversos grupos estão trabalhando para combater a interferência dos bots no pleito de 2018. Todo esse esforço será insuficiente, porém, se você não utilizar as redes sociais com consciência. Aqui vão algumas indicações rápidas:

  • Repense antes de compartilhar memes, áudios e vídeos. Aparentemente inofensivo, o humor consiste em um eficiente recurso para difusão de ideias.
  • Alguém está querendo comprar briga no feed? Talvez seja uma tentativa de desviar a sua atenção. Verifique se você não está lidando com um perfil falso. Caso contrário, vale lembrar que um debate construtivo deve envolver argumentos – e não ataques pessoais.
  • Evite clicar em links encurtados e de procedência duvidosa. São iscas para o roubo de dados que ajudarão a criar novos robôs com características similares às suas.
  • Confira SEMPRE a origem das informações, mesmo que a novidade venha de uma pessoa confiável. Os principais meios de comunicação do país corroboram com aqueles fatos? Existem fontes para legitimá-los? A notícia foi publicada em um veículo partidário? É preciso levar esses aspectos em consideração.

Se você está em busca de conhecimento para fundamentar as suas escolhas no dia 7 de outubro, não esqueça que o acesso à informação é um direito. O governo disponibiliza dados oficiais com livre consulta pública. Dá para começar pelo site do TSE, na área de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais. Visite também o portal dados.gov.br, que conta com uma extensa base de informações.

Aqui na NetEye, prezamos pelo melhor uso da tecnologia. Se você gosta de receber dicas e se manter informado a respeito do setor, acompanhe o nosso blog!

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